SINCERAMENTE, SOBRE O CASO PAULO JR.

SINCERAMENTE, SOBRE O CASO PAULO JR.

Um dia depois do pronunciamento do ex-pastor Paulo Jr., eu fiquei com uma impressão estranha sobre o desenvolvimento do caso e o castigo que recebeu. Será que houve algum exagero na forma como a igreja lidou com o pastor? Talvez sim, na mesma proporção do pecado cometido, mas algumas pessoas começaram a questionar se, a longo prazo, isso foi uma boa ideia.O Paulo Jr. é um grande pregador bíblico. Sempre focado na mensagem do texto e, pelo erro que cometeu, fica claro que ele se empenhava muito mais do que o necessário — ou seja, ele era muito mais dedicado do que a maioria esmagadora dos pastores brasileiros. Seu pecado foi consequência do exagero na vontade de fazer a vontade de Deus, algo que definitivamente soa estranho. Não é novidade para ninguém que, dentro de centenas e talvez milhares de igrejas no Brasil, os pastores agem exatamente como Paulo Jr. Além disso, não são poucos os casos de envolvimento com idolatria ao dinheiro e adultério com membros da igreja. O cristianismo no Brasil é um verdadeiro lixo em muitos aspectos, mas agora parece que tudo de ruim estava presente na vida e no ministério de uma pessoa apenas: Paulo Jr.

Creio que pastores assim devam ser advertidos e afastados temporariamente de seus cargos. Concordo em parte com a decisão do conselho da igreja Aliança do Calvário, mas é preciso reconhecer que, talvez, Deus também os castigue pelo excesso de justiça derramado em uma única pessoa. Será que eles não agiram exatamente como Paulo Jr. estava agindo?
Como resultado, todos nós perdemos mais um pregador importante. Milhares de pessoas vão deixar de receber a mensagem que Paulo pregava, e isso não deve ser normalizado nos próximos cinco anos. Isso também é um prejuízo enorme para o Reino de Deus, uma vez que reconhecemos o trabalho realizado pelo pastor até então.
Um rapaz usou as redes sociais para questionar o pedido de perdão do pastor, dizendo que ele deveria falar pessoalmente com cada pessoa prejudicada, pedindo perdão. Essa é uma exigência exagerada sobre um homem que já havia perdido o ministério pastoral, a direção da igreja e toda a credibilidade que havia conquistado ao longo dos anos. Na verdade, isso foi o mesmo que “bater em gato morto”. Um dia depois, foi anunciado que o ex-pastor entrou em contato por telefone com o membro, pedindo perdão, rápido demais para um pastor que foi considerado um verdadeiro carrasco. Eu creio que tenha havido exageros da parte de Paulo Jr., mas me parece que o seu afastamento e remoção do ministério foram um prejuízo maior ainda.
Por que não tirá-lo do ministério pastoral, mas deixá-lo como um pregador ou professor? Por que detonar sua carreira inteira? As consequências para todas as decisões devem ser sentidas, incluindo para aqueles que sofrem. Não podemos usar o sofrimento como meio para a injustiça. E o que aprendemos sobre amar os nossos inimigos e perdoar aqueles que nos fazem mal? Essas coisas não são ensinadas também?

Na minha opinião, tentaram cobrar do ex-pastor “olho por olho e dente por dente”, e esse tipo de justiça prejudicou justamente aqueles que queriam se beneficiar. Perderam o pastor, a visibilidade e a confiança do público geral. Paulo Jr. saiu da igreja e vai iniciar sua carreira novamente, com toda a carga de experiência adquirida até então (incluindo os erros cometidos recentemente), e quem sabe em 5 ou 10 anos se tornará um grande pastor. Mas ele não será um grande pastor da igreja Aliança do Calvário, e isso pode representar um baita tiro que saiu pela culatra.
Antes de tomar uma atitude “justa”, é preciso calcular o peso que ela representa para nós mesmos, os injustiçados. São esses momentos que nos levam a tomar decisões erradas e, mesmo sendo o lado que sofre, podemos causar mais sofrimento ao tomarmos decisões equivocadas.
Os inimigos da fé estão fazendo festa. Hoje, eles são todos perfeitos e nós somos errados, um baita ponto para eles em cima das nossas decisões equivocadas.

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