sexta-feira, 25 de abril de 2014

A cultura da violência no Brasil

Por cultura eu me refiro ao conjunto de ideias e costumes de um povo; instruções naturais de uma sociedade, presente na maneira como se comporta em diversos meios. Por violência me refiro a tudo que, de uma forma ou de outra ultrapassa os limites do próximo, seja através da luta física, das palavras e principalmente das atitudes costumeiras de (quase) todo brasileiro que vive em grupo.

O importante sobre tal assunto está nas motivações de uma sociedade que se comporta de forma agressiva e violenta sem que se perceba tanto pelas vítimas quanto pelos sujeitos envolvidos no ato de violência. Que podem ser observados em todas as faixas etárias em ambos os sexos e por incrível que pareça pode ser percebido tanto pelo violento quanto pela vítima que após tornar-se vítima usa de atos violentos para se defender, não apenas por questões de princípios e sim pela motivação do orgulho, ódio ou inveja entre outros menos constantes.

A cultura da violência está incorporada á cultura de um país sendo ela criada e alimentada pela própria sociedade de maneira subliminar ou não, podendo ser percebida através de seus costumes, palavras e atitudes mais comuns e apoiadas pela maioria do povo. Aplicando esta cultura em diferentes faixas etárias podemos definir, por exemplo, que ela atinge uma criança através da maneira como é tratada pelos pais, por aquilo que a criança absorve de outras crianças e não é tratado pelos bons costumes da família e principalmente pela ação da mídia, seja através da imagem ou do som. Através dos pais e de outras crianças devido a toda carga carregada por todo indivíduo a qual é subliminarmente passada de uma pessoa a outra, seja membro ou não de uma mesma família e através da mídia pelos desenhos, histórias conhecidas e colocadas em destaque através de interesses de terceiros, um bom exemplo disso está no fato de que a TV aberta possuí apenas um canal educativo, sendo este o menos visado e com menos investimento e destaque, enquanto outros com conteúdo adulto entram em destaque com altos investimentos e alta tecnologia para que possam atingir e influenciar, positivamente e negativamente, a sociedade desde pequena criando assim uma cultura criada e muitas vezes manipuladas por interesses difíceis de definir.

O adolescente da mesma maneira é influenciado por esta cultura através de ações, palavras e costumes trazidos de adultos próximos e influência da mídia destrutiva. Por violência não definimos apenas atos físicos, alguém se torna violento quando de uma forma ou de outra viola aquilo que é de direito de outra pessoa, assim um adolescente não aprende a usar esta violência apenas através de brigas e sim do comportamento muitas vezes irracional e injustificado, sendo este aceito como normal, pela grande maioria da sociedade. Um adolescente pode, por exemplo, aprender que o consumo do álcool é algo bom seguindo o péssimo exemplo dos pais e amigos mais velhos e terminar dias depois como vítima de sua própria violência internado num hospital ou mesmo morto em um acidente de trânsito, para muitos o consumo é normal, mas a consequência não. Desta maneira o consumo de bebidas torna-se um ato de violência contra a própria pessoa e uma sociedade que hoje se tornou vítima de sua própria cultura. O acesso através da mídia a outros meios de diversão faz do adolescente violento consigo mesmo e com outros quando aprende de fontes erradas coisas concernentes ao sexo, drogas, diversão e trabalho, tornando tais assuntos meios para um futuro violento e dramático, como por exemplo, uma adolescente que por seus próprios impulsos engravida muito antes do previsto, incrivelmente tornando-se vítima pela sociedade sendo que fez aquilo que desejou.

A partir da adolescência os costumes violentos se tornam algo que foi enraizado e pode até mesmo ser previsto através do acesso à história do sujeito em questão, por exemplo, pais violentos, filhos violentos, exceto com algumas variantes, como no meu caso. Mas que mesmo assim, às vezes esta exceção desaparece mostrando aquilo que nos tornamos com referencia àquilo que vivemos. Os meios mais visíveis de tal cultura violenta e humanista estão no dia a dia e são visíveis apenas quando comparados a um padrão superior e contrário aquilo que nos coloca no patamar da bondade, quando nos comparamos com algo que pode ser realmente bom descobrimos o quanto somos realmente maus. Adultos e idosos apresentam tais comportamentos quando optam por beneficiar apenas o eu e ignorar o próximo, é visível numa fila de ônibus, local onde é possível descobrir pessoas realmente corruptas e más. Um exemplo tão simples pode ser difícil de ser entendido, mas pessoas que furam filas são as mesmas que numa oportunidade única se comportarão como corruptos e desonestos porque tal comportamento revela muito mais do que vemos à primeira instancia. Quem fura fila tem disposição á corrupção. Isto é um ato de violência sem dano físico.

A cultura da violência é muito mais visível do que podemos imaginar, e ela se torna visível ainda em nosso comportamento, algumas vezes por impulso, outra por pura consciência. A violência é ainda vista e ouvida através de mídias, principalmente a violência sexual contra a mulher, ainda que muitas mulheres apoiem e contribuem para tal violência, influenciando e incentivando comportamentos estranhos e ruins em outras mulheres que não conhecem e não tem qualquer interesse em tais atos violentos, um bom exemplo disso se encontra em músicas do estilo funk, quando alguém declara em uma música tais palavras: "Amor, tá difícil de controlar; Há mais de uma semana; Que eu tento me segurar; Eu sei que você é casado; Como é que eu vou te explicar?; Essa vontade louca; Muito louca; Eu posso falar?; Quero te dar, quero te dar" (Valesca Popozuda), ela não está simplesmente cantando algo divertido e ousado e sim incentivando outras mulheres a sentir aquilo que canta e outros homens a viver o que se canta, sendo assim um ato de violência contra a família que em geral formada por marido, esposa e filhos se vê violada diante de tal situação. Outros exemplos mais subliminares estão presentes em diversas músicas e vídeos espalhados por todos os lugares contendo a mesma mensagem e o mesmo efeito, os quais não usaria meu espaço para divulgar.

De forma geral a cultura da violência no Brasil incentiva a busca humanista pelo prazer ou vantagem do eu, mesmo que para isso temos de passar por cima do próximo, seja por força física, seja por palavras ou atitudes e pode ser muito bem vista ainda pela política. O governo carrega uma violência extrema a favor de suas próprias vontades, mas ainda menos visível e não menos importante eu colocaria a religião, está carregada de violência e a usa para justificar muitas de suas atitudes, como por exemplo, o fato de tentar definir quem entra ou não no céu, sendo que, quando eu defino quem entra, na verdade estou me colocando superior e por tanto mais santo do que o próximo, algo que é totalmente contestado nas escrituras quando nos ensina que o amor ao próximo deve ser exatamente o mesmo do meu amor próprio. Separações e grupos fechados mostram como a violência atinge os fiéis fazendo parte também de sua cultura, mesmo dentro de outra totalmente contrária.

O que importa sobre uma cultura suja e violenta dominante no Brasil? Porque precisamos tomar cuidado como estas ideias de sociedade? Creio que o melhor não está numa forma violenta, seja ele qual for, de realizar aquilo que queremos e uma visão centralizada do eu deixa a humanidade numa situação complicada porque percebemos que uma pessoa não contribui com a outra porque não deseja ajudar e não por que não tem como fazer. Enquanto a humanidade enxerga paralíticos incapazes Jesus enxerga um alvo do seu amor e atenção e isto deve ser por obrigação uma característica de suas igrejas e um fato principal de seus seguidores verdadeiros. Enquanto encontramos vantagens nas atitudes violentas de nossa época Jesus mostra que o verdadeiro caminho para Deus é o amor. Portanto, fujamos desta violenta cultura e abraseemos aquilo que foi ensinado pelo mestre e criador da vida:


"Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento'. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'." (Mateus 22.37-39).

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