sábado, 15 de julho de 2017

A oração em modo On/Off - Discipulado com Jesus #6

#06 – A oração em modo On/Off


Já parou para pensa no significado de orar? Afinal, o que é isso e para que serve? A oração é um mistério explicado por Jesus aos seus discípulos e explorado no mundo cristão para justificar a busca incessante das coisas ao invés de Cristo, para isso é feito mudanças e leituras fora de contexto, isso fez com que a oração virasse um rendimento indo completamente ao contrário do que realmente Jesus ensinou. Afinal de contas você sabe o que é e para que serve a oração?


Quando lemos Lucas 11 e Mateus 6 sobre oração precisamos levar em consideração que estas palavras foram ditas aos discípulos de Jesus, àqueles que colocavam em prática o que Jesus ordenava, portanto, essa mensagem é a respeito da vida cristã prática. Aqui não existem fórmulas para enriquecimento ou curas, as palavras de Jesus são muito claras para que alguém possa sustentar que a oração é um meio para se alcançar o que queremos, mas para entender isso nós precisamos analisar o começo, meio e fim das palavras de Jesus. Em Lucas elas começam assim:
Certo dia, Jesus estava orando em determinado lugar. Quando terminou, um de seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensine-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”. Jesus disse:” (Lucas 11.1-2a – NVT)

É importante analisar este texto desde o início, não apenas o meio e o fim, como muitos o fazem. Para entender o que ele ensina você precisa saber como isso começou. Duas coisas estão acontecendo aqui: A – Jesus está orando como de costume; B – Os discípulos estavam vendo-o orar e perceberam que não sabem como fazer. Essa é a introdução básica do que estamos vendo no texto acima, os discípulos não sabem como orar, mesmo acompanhando Jesus de perto há algum tempo. Se eles não sabiam, o que diremos nós? A partir desse entendimento podemos tentar desvendar o que Jesus ensina com as palavras, formas e temas da oração modelo que tanto repetimos quando criança.

A oração modelo nós já conhecemos de cór. Repetimos a vida toda. E tudo que já ouvimos a respeito envolve as classificações da oração: Declaração de santidade; Declaração de que Deus tem domínio na terra e no céu; Pedido para que ele nos sustente; Pedido para que ele nos perdoe; Pedido para que ele nos proteja (1 – corpo / 2 – Alma); Declaração de santidade; finalização.
Porém este ainda é o início do que Jesus está ensinando, isso porque Jesus termina o assunto em Lucas no verso 13, não no 4! E em Mateus ele termina o assunto no verso 18 e não no 13 como estamos acostumados a ouvir, então vamos dividir esse tema entre os dois livros e entender quais ensinamentos cada um tem.

Lucas 11.1-13

Portanto eu lhes digo: “Peçam, e receberão. Procurem, e encontrarão. Batam, e a porta lhes será aberta. Pois todos que pedem, recebem. Todos que procuram, encontram. E, para todos que batem, a porta é aberta”. (V. 9-10 – NVT)

Após a oração Jesus conta uma breve parábola mostrando que através da persistência nós somos atendidos, pode parecer um pouco estranho se pensarmos em coisas terrenas, mas Jesus está com o pensamento no seu modelo de oração, portanto seria estranho imaginar que de repente ele começou a falar em carros, viagens, casas, casamentos e afins, aqui tudo que ele diz entregar através da persistência tem a ver com o que ele mesmo ensinou na oração, que pode ser lido da seguinte maneira: “Pai, eu te louvo, receba minha adoração, mantenha nossa saúde física e espiritual através do alimento e do perdão (da maneira como fazemos ao nosso próximo) e nos proteja do mal”. Aqui há definições de coisas que um discípulo precisava para continuar sua missão aqui na terra e isso é muito diferente do modelo de oração que temos hoje em dia, em que colocamos nossos sonhos, nossas vontades e ambições. Me parece que tudo que um discípulo precisa é se manter vivo e adorando a Deus. E ele confirma ainda que Deus sabe dar coisas boas àqueles que o pedem. O ponto aqui não é que somos proibidos de pedir coisas a Deus, o ponto é que não precisamos dessas coisas e por isso não colocamos como prioridade em nossa oração, mas se pedirmos e tivermos persistências é bem provável que ele nos dará também. Lucas se posiciona bem em relação ao foco do discípulo, daquele que usa da oração para continuar aquilo que Deus começou. Para ele o ato de orar envolve arrependimento, adoração e sustentação divina, seja do nosso corpo para que continuemos caminhando, seja da nossa alma para que continuemos no caminho certo.

O mistério e a conclusão ficam por conta das palavras finais de Jesus, que jamais poderiam ser completadas usando pedidos terrenos e talvez até mundanos. Jesus de repente termina seu ensino dizendo aos discípulos que se eles continuassem pedindo o Pai enviaria o Espírito Santo! Como assim? Me parece que todos os pedidos aqui e toda forma de orar se realiza com a vinda do Espírito Santo, temos então nos ensinos de Lucas três pontos importantes na vida do discipulado que talvez você não tenha prestado atenção: A – Oração com insistência; B – Deus atendendo nossa oração; C – Ele enviando o Espírito Santo até nós. Ou ainda: A – A oração persistente; B – A porta se abrindo; C – Deus se revelando a nós.

O ponto C excluí qualquer ensino carnal a respeito da oração, como eu posso concluir que pedindo com insistência para ficar rico Deus irá me enviar o Espírito Santo? Não é isso que eu pedi! Por isso precisamos ficar atentos ao foco de Jesus quando ensina isso tudo, eu definiria que Ele está nos ensinando que os pedidos em questão (Pai, ouça minha oração, receba minha adoração, mantenha nossa saúde física e espiritual através do alimento e do perdão (da maneira como fazemos ao nosso próximo) e nos proteja do mal) se satisfazem com a vinda do Espírito Santo até nós. E ainda que a busca não está nas coisas deste mundo e sim a plena revelação de Deus e de sua vontade. Se fizermos o contrário caímos no erro ensinado por Tiago em sua carta:
De onde vêm as discursões e brigas em seu meio? Acaso não procedem dos prazeres que guerreiam dentro de vocês? Querem o que não têm, e até matam para consegui-lo. Invejam o que outros possuem, lutam e fazem guerra para tomar deles. E, no entanto, não têm o que desejam porque não pedem. E, quando pedem, não recebem, pois seus motivos são errados; pedem apenas o que lhes dará prazer. Adúlteros! Não percebem que a amizade com o mundo os torna inimigos de Deus?…” (Tiago 4.1-4 – NVT)

Mateus 6.1-18

Quando eu era criança meu sonho era ter um videogame e eu lembro de muitas vezes orar para que Deus me desse, eu era muito pobre e minha mãe não ganhava suficiente para isso e, portanto, era um sonho mesmo. Quando me tornei adulto comecei a orar pedindo perdão pelos meus pecados cometidos quando era… criança, e não foram poucos. Eles deixaram marcas que até hoje me atormentam e caso eu não soubesse que fui perdoado certamente eles me matariam e ser atendido quanto a esta oração foi muito maior do que ter os quatro videogames que tive durante minha vida. Isso porque através da minha oração Ele me tirou da morte!

Se o resultado do que Ele ensinou em Lucas foi constrangedor, em Mateus ele se torna violentamente assustador! Isso porque Mateus quer tocar no íntimo de quem está ouvindo, ele está tocando nos ídolos que criamos de nós mesmos conforme vamos crescendo na fé e Jesus não poupa esforço e palavras quando quer destruir nossos ídolos para nos dar um novo coração. O ensino em Mateus é muito mais profundo, tem algumas camadas e precisamos de muita atenção, em Mateus Jesus inicia seu ensino assim:
Tenham cuidado! Não pratiquem suas boas ações em público, para serem admirados por outros, pois não receberão a recompensa de seu Pai, que está no céu; Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de orar em público nas sinagogas e nas esquinas, onde todos possam vê-los. Eu lhes digo a verdade: eles não receberão outra recompensa além dessa; Quando jejuarem, não façam como os hipócritas, que se esforçam para parecer tristes e desarrumados a fim de que as pessoas percebam que estão jejuando. Eu lhes digo a verdade: eles não receberão outra recompensa além dessa; Não ajuntem tesouros aqui na terra, onde as traças e a ferrugem os destroem, e onde ladrões arrombam casas e os furtam.” (Mateus 6.1,5,16,19 – NVT)

O problema em Mateus era o que o homem queria com as coisas de Deus. Pode parecer que o texto esteja se referindo à nossa época, mas ele era direcionado ao povo da época de Jesus, será que evoluímos ou continuamos no mesmo nível? Este é a primeira camada do ensino de Jesus em Mateus 6 sobre a oração e ela tem a ver com tudo da vida cristã. Ele vai da oração ao que buscamos aqui na terra e conclui o seguinte: “não busquem as coisas da terra, vocês só terão essa recompensa se continuarem a busca-la”. Estas são as conclusões percebidas no início e no fim do ensino, como disse são partes fundamentais para entender o que Jesus ensina sobre nossa vida de oração. Não seria novidade para você se eu dissesse que muitos “discípulos” estão aí apenas pela fama, pelo prazer de serem vistos e reconhecidos e ainda, estão buscando somente tesouros aqui na terra. Ato condenado pelo próprio Jesus. Logo isso reflete diretamente em nossa vida de oração, aliás, nossa vida inteira é uma oração, o que fazemos de olhos fechados tende a refletir o que fazemos de olhos abertos ou apenas contradiz o que realmente estamos buscando e aqui entramos na segunda camada de ensino a respeito da oração. Jesus quer que sejamos a mesma pessoa quando estamos orando! Por isso ele cita como exemplo dois trechos no ensino, são eles:

e perdoa nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores” e “Seu Pai celestial os perdoará se perdoarem aqueles que pecam contra vocês.” (v.12, 14 – NVT)

Com isto ele está afirmando que não adianta viver uma vida e fingir outra quando estamos em oração, de forma simplificada ele está dizendo que não vai adiantar pedirmos perdão se nós não perdoamos, não adianta pedir bênçãos pra Deus se nós não somos benção para nosso próximo. Este contraste irrita Deus e ele é capaz de não nos perdoar, não nos abençoar e nem sequer nos ouvir. Deus odeia a falsidade. Portanto nossa vida inteira precisa ser uma oração, de olhos fechados e falando dentro da igreja ou no nosso ambiente de trabalho a oração é a mesma, Ele já nos conhece!
Mateus ainda define que esta vida de oração e entrega deve ser completamente oculta ao mundo, ele não precisa que mostremos nossas obras. O problema aqui é que o homem acaba ficando viciado em ser visto e reconhecido, isto se torna um ídolo e com o tempo não estaremos fazendo para Deus e sim para nós mesmos o que é uma completa perda de tempo.

Não é fácil chegar a uma conclusão que seja de completo interesse a todos quando o assunto é a oração. Pelo menos não conseguimos fazer isso usando a bíblia, dizer que com ela você consegue tudo que quer e usar a bíblia para isso é bastante arriscado, uma vez que o exemplo de Jesus é uma completa entrega a Deus e à sua vontade teríamos de conseguir outro cristo, um que se adaptasse à nossa vontade, porém este cristo não nos levaria ao céu… e isso é uma tragédia para o ser humano. Aliás este cristo é muito procurado hoje e vai fazer muitas pessoas serem enganadas, a não ser que eu e você façamos alguma coisa contra isso. Afinal se, ser discípulo é ouvir o chamado e obedecer, talvez uma das ordens seja ensinar outras pessoas a respeito da oração e principalmente da vida de oração. E estes serão os nossos futuros temas, vamos pensar em como sermos luz nas trevas!
Oro para que Deus possa revelar estes mistérios pelo menos a você, que chegou aqui e que a partir de você possamos juntos ajudar outras pessoas a terem uma vida de oração mais real, mais sincera e assim consigamos atrais outras pessoas que hoje estão nas trevas para esta maravilhosa luz do evangelho de nosso Salvador Jesus cristo!

Questões para meditação:


1 – A sua oração hoje reflete quem você é?
2 – Se Deus resolvesse tratar suas orações levando em conta sua vida diária, o que aconteceria?
3 – As coisas da terra são mais importantes hoje do que as coisas do céu? Seja sincero, ele está ouvindo sua resposta!





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