sábado, 15 de abril de 2017

O Apocalipse do século XXI - parte 1


A forma como aprendemos sobre o apocalipse é no mínimo fantástico, não num bom sentido e sim no sentido de se parecer mais com uma história de R. R. Tolkien do que com algo real que poderia acontecer. Foi a mesma coisa comigo durante toda minha vida na igreja.


Na verdade, hoje em dia não existem muitas igrejas falando sobre os acontecimentos, as ordens e doutrinas a respeito do apocalipse, o que me faz parecer mais como um das antigas (e realmente eu sou) por ainda me preocupar em estudar e aprender sobre essas coisas estranhas a respeito da salvação, criação e também o apocalipse. A muito tempo eu não ouço algo que faça sentido a respeito dos últimos dias na Terra, e é sobre algumas novas descobertas que eu quero conversar com você. Desde já digo que não são novas descobertas minhas, o que eu descobri estudando já existe a muitos anos, só não foi divulgado como merecia até agora.

Então vou colocar nesta postagem apenas dois aspectos do apocalipse que muitos conhecem de outras maneiras e que eu descobri com maior sentido dentre todas ensinadas por aí afora.

1 – As duas bestas

Primeiro aprendemos que as bestas eram pessoas que governariam contra Deus, isso a muitos anos atrás. Depois surgiu a ideia de que eram o país Vaticano e o catolicismo, nunca fez muito sentido para mim também, mas muitos acreditavam e ainda acreditam. Outros dizem que a besta é o governo dos Estados Unidos e isso por um tempo fez sentido sim, mas no contexto geral não me convenceu de que a besta poderia ser um país. Foi então que entendi muito bem como ler este texto.
O problema com ele é que para compreender precisamos entender uma parte anterior a ele. Para isso você precisa entender Apocalipse do capítulo 12 até o 13. Porém aí existem mais problemas de compreensão. Isso porque enquanto a gente achar que aquela mulher era Maria ficará mais difícil compreender o mistério dos dois capítulos. Portanto faz mais sentido que esta mulher seja a igreja no mundo, que foi perseguida e precisou fugir para não ser destruída.

Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar a luz.” (Apocalipse 12.1-2 - NVI)

Neste momento João viu de forma figurada a própria igreja pouco antes de nascer essa “luz”. Não temos conteúdo suficiente para acreditar que ela era simplesmente Maria, mesmo que ela tenha sido importante para tudo o que aconteceu. Porém, também não podemos definir que essa mulher era a igreja como parte física no mundo porque sabemos que a sequência não faz sentido também. O mistério está aí, Jesus não estava se referindo a uma mulher grávida, me parece que ele ajuntou grandes pontos da história e compactou num relato pequeno, algo que só a bíblia consegue fazer. Esse efeito está inserido na bíblia em todas as partes e eu nunca vi ninguém fazer igual. Veja o que ele compactou nos dois primeiros versículos:

O sinal extraordinário no céu era nada menos do que o próprio Deus. A mulher era a igreja que estava sendo perseguida, não apenas no passado e sim no presente e futuro. O sol era sim Jesus e ele viria ao mundo através da igreja física, a coroa de doze pontas pode indicar as doze tribos de Israel espalhadas na Terra ou os doze primeiros apóstolos. Após esse acontecimento inicia-se uma guerra entre o diabo e a igreja. Ele persegue ela até que é derrotado na cruz e após isso inicia-se a história das duas bestas onde vemos a primeira recebendo autoridade do próprio diabo.
Vi uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade. ” (Apocalipse 13.1-2 – NVI)

Faria sentido acreditar que esta besta representa algum governo isolado. Talvez uma grande potência mundial. Porém esse efeito já aconteceu diversas vezes na história da igreja desde que a carta foi escrita e para aceitar isso como prova final teríamos de aceitar pelo menos seis bestas, mas o apocalipse só fala de duas. E isso é fantástico, porque Jesus sintetizou não apenas um governo, mas um modelo inteiro de governo que iria crescendo até os dias de hoje e que continua crescendo. Para ficar mais fácil entender você precisa conferir que João está usando outro texto bíblico para explicar o que ele está vendo, e o mais confuso é que a referência dele é outra visão. Não sabemos ao certo o que ele conseguiu ver, mas foi algo muito mais complexo do que está escrito. O que ele disse sobre a aparência da besta se encontra em Daniel 7. E foi usado para falar sobre grandes potências mundial, que hoje não existem mais como era descrita em Daniel, porém, algo que eles começaram e evoluiu até os dias de hoje dá uma forma a esta primeira besta. Poderíamos entender esta besta como a construção política e social derivada destes reinos antigos. São as tradições, impulsionadas pelo poder maligno dado a elas que formaram um monstro capaz de ultrapassar todas as fronteiras de tempo e espaço e ser vistas tanto no passado quanto no futuro. Por isso ela veio do mar, era a única forma de se espalhar pela Terra quando o texto foi escrito. Isso me lembra ainda mais um movimento chamado iluminismo, que foi uma grande novidade para a época e conseguiu conquistar diversas pessoas com seus ideais e se encaixa bem no texto quando ele diz que as pessoas ficaram maravilhadas com a chegada desta besta.

O iluminismo seria tão viável que se encaixa perfeitamente na seguinte passagem:
Uma de suas cabeças parecia mortalmente ferida, mas a ferida mortal fora curada.” (v. – BJ)

Este movimento – e isso é uma teoria minha – tentou de todas as formas fazer com que a religião não fizesse sentido lógico e cientifico e como ninguém consegue provar Deus usando estes dois meios ela simplesmente desmentiu a existência de Deus e todos os seus efeitos. Porque esse pensamento faz sentido? Porque esta ferida estava na cabeça, centro de nossa mente, pensamentos e símbolo da sabedoria também. E o iluminismo transformou grande parte do que temos hoje sobre o cristianismo, ele fez com que as pessoas pensassem na lógica do evangelho antes de o aceitar e sabemos que Jesus mesmo ensinava que o evangelho não era algo que pertencia a lógica humana e sim a lógica divina.
Portanto, a primeira besta é o sistema político e social que cresceu até os dias de hoje derivado daqueles povos citados no livro de Daniel. Ele é blasfemo, ensina coisas que Deus abomina e aceita coisas que ele não aceita e começou um movimento bem explicado no texto: “Ela abriu então a boca em blasfêmias contra Deus, blasfemando contra o seu nome, sua tenda e os que habitam no céu. Deram-lhe permissão para guerrear contra os santos e vence-los; e foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação.” (v. 6,7 – BJ)

Outro detalhe importantíssimo é que os que adoraram a primeira besta são os “habitantes da terra cujo nome não está escrito desde a fundação do mundo no livro da vida do cordeiro imolado. ” (v. 8 – BJ) OU seja, os participantes que a adoraram são os não salvos, aqueles que não estão escrito no livro da vida desde o início.

Cresceu bastante e está totalmente ativo hoje ainda, mas o texto ensina que ele deve morrer. Ou seria isso um indicativo de esse movimento simplesmente perderia o destaque para o próximo? Chamado de segunda besta?

E a segunda besta? O que sabemos sobre ela?
Bom, até hoje eu não conheci muita coisa sobre a segunda besta do apocalipse, até porque as pessoas geralmente pulam da primeira para o símbolo da besta e ela fica meio que perdida. Até mesmo pesquisas realizadas na internet, a mãe de todas as heresias, apontaram o mesmo resultado. Pouco se fala sobre a segunda besta, sorte termos em mãos a Bíblia para pensarmos um pouco sobre ela. Vejamos então onde ela insere a segunda besta:
Vi depois outra besta sair da terra: tinha dois chifres como um Cordeiro, mas falava como um dragão. Toda a autoridade da primeira besta, ela a exerce diante desta. E faz com que a terra e seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada. Ela opera grandes maravilhas: até mesmo a de fazer descer fogo sobre a terra, à vista dos homens. Graças às maravilhas que lhe foi concedido realizar na presença da besta, ela seduz os habitantes da terra, incitando-os a fazerem uma imagem em honra da besta que tinha sido ferida pela espada, mas voltou à vida. (Apocalipse 13.11-14 – BJ)

Esta segunda está a trabalho da primeira, que foi curada de um ferimento mortal, portanto a primeira besta não está morta aqui. A palavra morta pode se referir ao esquecimento ou simplesmente ela se tornou tão comum que não causa mais impacto, ou quando alguma coisa se torna tão comum que não notamos mais. Diferente da primeira esta segunda se parece santa, uma referência ao “cordeiro” ou seja, a Jesus, mas fala como o dragão, satanás. Esta segunda também faz milagres e opera maravilhas. João aqui usa o texto “fazer descer fogo sobre a terra” se referindo ao milagre que Deus fez descrito no velho testamento:
Respondeu Elias: "Se sou homem de Deus, que desça fogo do céu e consuma você e seus cinquenta soldados! " De novo fogo de Deus desceu do céu e consumiu o oficial e seus soldados.” (2 Reis 1:12 - NVI)

E

"Então o fogo do Senhor caiu e queimou completamente o holocausto, a lenha, as pedras e o chão, e também secou totalmente a água na valeta. Quando o povo viu isso, todos caíram prostrados e gritaram: "O Senhor é Deus! O Senhor é Deus! " (1 Reis 18:38,39 - NVI)

Ou seja, a segunda besta terá aparência de uma religião verdadeira. Ela fará milagres, parecerá como Jesus, mas suas palavras são as de um dragão. O que podemos pensar a respeito dessa última pista? Simples. A segunda besta é a manifestação das falsas religiões, que após a ressurreição de Jesus começaram a se multiplicar de forma rápida e enganando cada vez mais pessoas. São aquelas igrejas que se parecem cristãs, mas são guiadas pela primeira besta e pela vontade do dragão, o satanás. E Jesus também falou sobre isso no registro de Mateus, acompanhe:
“Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa. Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, 13 mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mateus 24.9-13 - NVI)

Fazer um texto se encaixar no outro com o mesmo assunto é o que dá sentido a uma explicação, isso conta muito quando vamos interpretar alguma coisa. Aqui não é diferente, Jesus estava justamente dizendo a mesma coisa que mostrou a João anos mais tarde e isso valida o pensamento de que esta segunda besta será o movimento dos falsos profetas, ou seja, daqueles que pregam o mundo e as coisas referentes a ele como se fosse uma urgência do evangelho. Algo bem comum na nossa época, ou ainda como no passado quanto pregaram coisas aparentemente cristãs, mas retiradas de religiões pagãs. Acompanhe o que Eugene H. Peterson escreveu em uma nota sobre as duas bestas:
Se o plano do diabo for separar o nosso comportamento e nossa crença da obediência a Deus, a política será um campo no qual ele coloca suas tropas de prontidão. As bestas do mar e da terra são imagens que João usa para mostrar como o satânico trabalhará secretamente nas áreas do governo e da religião. Com a besta do mar, o dragão nos assustará até a desobediência (“para guerrear contra o povo santo de Deus e vencê-lo [v.7]). Com a besta da terra, ele nos ludibriará até a ilusão (“para enganar os habitantes da terra” [v.14]). Os respectivos podes das bestas – intimidar e ludibriar – são contra-atacados pelas palavras de admoestação que João escreve a seus párocos. Depois de apresentar a besta do mar em sua violência, João aconselha “o povo santo de Deus permanece firme, com paixão e fidelidade”. (Bíblia de Estudo – A mensagem – Editora Vida)

Fiquemos, portanto, de prontidão para o que acontece não apenas no mundo, mas também na religiosidade que tem conquistado muitos hoje em dia. É notável que o evangelho continue com a mesma mensagem, sem novos fundamentos ou ideologias carnais, sem isso ele se torna parte do movimento da besta, o mesmo descrito por João e presente desde os registros de Atos. E por muitas pessoas se apaixonarem por esse estilo bestial de evangelho, disfarçado de cordeiro e pregando as coisas do dragão que surgiu a tão famosa marca da besta, nosso próximo tema.


2 – A marca da Besta

De código de barras a cpf, a marca da besta já foi tão confundida que a gente não sabe mais em que acreditar quando se fala nela. Parece até mesmo uma piada interna porque todo dia surge uma nova notícia “cristã/falsa” sobre a implantação do chip da besta com as mesmas funções dos documentos que usamos todos os dias tais como identidade, cpf, cartão de crédito e tal. É tão inocente acreditar que um documento ou uma marca representará a besta que até mesmo os ateus se recusariam a aceita-la sabendo que é a marca da besta. Os não crentes quando souber que essa marca será um chip certamente não aceitarão, mesmo não crendo em Jesus e isso vai fazer com que todo o restante da revelação seja jogado fora.

Não, não. A marca da besta não pode ser uma coisa, um objeto que pode ser jogado fora ou retirado de forma simples. O que João estava dizendo era que esta marca estaria naqueles que adorassem as duas bestas, não foi algo incluído a força, como no caso do chip ou do código de barras. Seria simples demais imaginar uma fila onde as pessoas fossem obrigadas a receber tal objeto e sair comprando com ele. Isso não daria crédito ao texto e à sabedoria divina.

Uma marca é algo que define alguém, não precisa ser exatamente um desenho ou um objeto. Pode ser algo relacionado a alguém, uma maneira de fazer as coisas ou uma forma de pensar. Por exemplo, uma das marcas do crente verdadeiro é o amor ao próximo. Não encontrei ainda nenhum deles marcados na testa com algum símbolo ou um documento de identidade própria para isso, mas essa é uma marca que define um crente. Eu mesmo posso me citar como exemplo, estou o tempo todo pensando em religião e cristianismo, logo essa é uma marca minha, algo que me define e pode fazer você se lembrar de mim com maior facilidade. Quem é o Devair? Aquele que fica falando sobre religião e tecnologia, simples!

Começar a definir pessoas por marcas visíveis fez com que milhares de pessoas tatuadas fossem taxadas de vagabundos, perigosos e coisas no tipo. Porém são pessoas comuns, com tatuagens, e elas dificilmente definem o caráter de alguém, no máximo representam algum momento importante de suas vidas. E se aceitarmos que o cartão de crédito é o símbolo da besta estaremos condenando 99,9% das pessoas ao inferno… porém ninguém até hoje morreu por não querer ter um cartão de crédito. Vamos então ao texto a respeito da marca:
“Foi-lhe dado até mesmo infundir espírito à imagem da besta, de modo que a imagem pudesse falar e fazer com que morressem todos os que não adorassem a imagem da besta. Faz também com que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos recebam uma marca na mão direita ou na fronte, para que ninguém possa comprar ou vender se não tiver a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui é preciso discernimento! Quem é inteligente calcule o número da besta, pois é um número de homem: seu número é 666!” (Apocalipse 13.15-18 – BJ)

Nadando contra a maré, foi a forma mais simples de chegar ao resultado da marca da besta. Se o mundo estará contaminado com as ideias da primeira besta e a ideia de religiosidade da segunda besta quem não pensar da mesma forma estará fazendo exatamente isso, nadando contra a maré. Hoje mesmo no Brasil já se pensa que nenhum empresário consegue o sucesso sem burlar as leis ou fazer alguma coisa errada para chegar lá. E do outro lado temos o pensamento de um deus de prosperidade, onde se faz coisas não descritas na bíblia para obter o sucesso, tudo isso mascarado de coisas boas e santas. A marca aqui se refere a costumes das pessoas que adoram as duas bestas, que optam pelos padrões dela e isso as definem, assim quem nadar contra a maré vai passar por grandes dificuldades para conseguir o que precisa, desde o básico até o desejado. Importante ainda é notar que esta marca está presente em todos os níveis sociais e o fato de ter um nome e um número mostra que ela é visível em todas as formas de linguagens, letras e números. O fato de estar presente na mão direita e na testa mostra que estas pessoas pensarão e agirão de acordo com os ensinos das duas bestas.
Essa marca também é o descompromisso com Deus e a aceitação cada vez maior ao mundo e ao sistema humano, isso é visível dentro de igrejas que ainda pregam a mensagem do evangelho como foi descrita nos livros da bíblia e refletido na grande aceitação de templos com evangelhos diferentes, mas disfarçados de cristianismo. Assim aqueles que estavam na igreja, mas não eram crentes vão aos poucos se afastando de Deus e tomando os seus lugares para a grande tribulação, enquanto os que permanecem nos ensinos de Jesus começaram a notar certa dificuldade em obedecer ao que aprendeu e aplicar nos negócios, na família e até mesmo dentro de suas igrejas. Este é o início de uma grande tribulação dividida por dois lados.

Logo você não precisa apresentar o seu chip para ser reconhecido como adorador da besta, basta observar o seu comportamento, suas prioridades para notar que você já a adora a muito mais tempo do que percebeu.

Temos então de tratar sobre a grande tribulação, porém este será um assunto a ser tratado posteriormente em uma nova postagem.

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