domingo, 8 de janeiro de 2017

A cultura da violência no Brasil 2


Anteriormente em “A cultura da violência” comentei brevemente sobre a influência de diversas mídias na construção e adaptação de uma cultura violenta em todos os seus aspectos. Modificando a partir de uma antiga juventude temos hoje o amadurecimento desta cultura e a aceitação de formas menos justas e às vezes até criminosa como forma de “fazer justiça”.

Com a crescente injustiça em vários âmbitos da sociedade e o crescimento do sentimento de ódio pela população mediante as diversas falhas dentro do sistema e ainda sobre forte pressão de políticas novas com visões limitadas a respeito de práticas ilegais tais como, roubo, estupro, assassinato e etc esta cultura tem tomado uma proporção cada vez maior e mais real dentro da sociedade comum. Chamo de sociedade comum aquela onde todos nós estamos inseridos, não apenas a que vemos nos jornais e noticiários internacionais. A violência que antes agredia, hoje deseja matar e ela está cada vez mais próxima de mim, de você e da sua família e é sustentada e apoiada não apenas por políticas irracionais, elas são sustentadas e apoiadas pelo próprio cidadão comum, sendo ou não influenciada por notícias que muitas vezes não passam de boatos criados para disseminar tal cultura. A pergunta deste texto é a seguinte:

É lícito um cristão ou até mesmo uma pessoa de bem desejar a morte de outra pessoa e se manter limpo em sua própria consciência? Seriam tais afirmações do nível “bandido bom, é bandido morto”, apoiadas pelas verdades defendidas na palavra de Deus a séculos? Se elas não forem aceitas, a bíblia perde sua autenticidade como palavra única de Deus?

O certo é que chegaríamos a este nível caso o primeiro não fosse combatido, como não foi, e passaremos deste, caso o próprio povo não mude sua forma de pensar e se expressar. Inclusive o próprio povo que hoje apoia este movimento mais violento será combatido com o mesmo método no futuro, onde caso eles errem serão abatidos instantaneamente sem chance de se explicar. É um terrível risco que estamos aos poucos criando ao apoiarmos tal pensamento. O mais curioso é que vários filmes de Hollywood mostram este resultado em seus filmes. Até mesmo os mais antigos já mostravam este comportamento no futuro. A bíblia, ainda mais antiga não só previu estes fatos como também afirmou que eles seriam uma amostra do fim dos tempos, talvez Hollywood tenha se inspirado nas palavras de Jesus ao desenhar um futuro catastrófico e violento, o certo é que estamos cada dia mais perto dessa realidade.

E o que vemos hoje além de bandidos recebendo para viver em prisões e políticos roubando milhões e se saindo bem mesmo depois de pegos? Vemos uma sociedade cada vez mais sedenta por sangue custe o que custar. As pessoas não querem mais chamar a polícia para resolver. Se elas encontram um ladrão o problema é resolvido ali mesmo, no mesmo sentido alguns policiais atacam de forma desesperada, bandidos e pessoas de bem a fim de resolver o problema de uma vez por todas. Pessoas que roubaram são executadas, não só pelo sistema, mas também pela população, em contraste a isso grandes políticos tem livre acesso para executar grandes crimes, sair ilesos e vencer novas eleições em cima do apoio do povo que a pouco executou um bandido local. Ou seja, entre tudo que se chama justiça parece-me que a única a ser considerada é a injustiça. Mas este não é todo o problema, o que virá a seguir te fará arrepender de ter apoiado isso tudo.

Sem dúvida alguma a morte parece uma grande solução para este tempo. Para acabar com a bandidagem precisaríamos matar todos eles, para acabar com os roubos precisaríamos matar todos os políticos e recomeçar do zero, são alguns pensamentos marcantes dessa cultura. Mas onde chegaríamos neste pensamento? Onde estaríamos daqui a dez ou quinze anos?

É fato que uma cultura quando se apropria de um povo evoluí para algo compatível a ela mesma. Neste ponto não seria difícil entender que daqui alguns anos quem fizer alguma coisa mínima e for visto como errado será executado no mesmo local, como já acontece em diversos locais hoje no Brasil. Ou seja, a violência crescendo ainda mais torna as pessoas menos amáveis, logico, e isso faz com que elas não pensem mais em justiça e executem sua própria “in”justiça no local do acontecimento. Isso hoje acontece muito mais mentalmente do que de forma física, mas ainda assim hoje ocorre muito mais mentalmente do que anos atrás. Há alguns anos atrás o bandido iria para a cadeia, hoje ele é executado em nossas mentes. E nisso estamos olhando apenas o nosso lado, que tem se endurecido cada dia mais, olhando pelo lado das pessoas que cometem crimes nós vemos o terrível avanço em sua própria cultura a ponto de acontecerem assaltos onde a vítima é esfaqueada mesmo entregando o que lhe pertence.

Respondendo a primeira pergunta. Se é possível um cidadão de bem apoiar uma justiça de morte e ter a mente tranquila. Eu diria que com a cicatrização daquilo que poderíamos chamar de amor, as pessoas não só podem fazer isso como já fazem há tempos. Pecados são cometidos todos os dias por vontade própria e seus portadores pouco importam com o resultado ou com sua consciência. Este é sem dúvida uma das provas mais nítidas de que Jesus estava certo quando ensinou que: “por se multiplicar a iniquidade (pecado), o amor de quase todos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mt. 24.12-13)

E ainda as palavras de Paulo a respeito dessas práticas pecaminosas que dominam o homem, tal como a vontade de matar ou ter vingança, ele foi revelado que: “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça... Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos... Pelo que Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si. Mudaram a verdade de Deus em mentira, honraram e serviram a criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente. Amém.” (Rm. 1.18,22,24-25).

Em outras palavras, o mais próximo do que Paulo está dizendo é que a idolatria ao próprio ser humano se tornou tão insuportável a Deus que Ele mesmo os entregou aos seus pecados, para que do céu recebesse o que lhes era direito, a justiça divina. Ficando assim fora dos planos de salvação de Deus como citados no texto anterior. As pessoas que não pensam como Deus, não desejam o que ele tem para elas e não receberão nada quando ele voltar, justamente porque buscam seus próprios méritos, sua própria justiça. Sim, é possível um crente aceitar, se envolver e apoiar a cultura da morte, mas é impossível que este mesmo crente tenha acesso ao céu, sendo ele mesmo vítima de sua própria injustiça uma vez que Jesus promete que: “com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos medirão a vós.” (Mt. 7.1)

Isso certamente não nos permite tratar uma pessoa culpada como inocente e manda-la embora, como muitos que defendem o movimento da morte julgam. Não quer dizer que desejamos trazer para casa um estuprador ou um assassino, mesmo que muitos que falam isso o são. Não abre espaço para que pessoas erradas não sejam julgadas de forma correta pela sociedade. Desejamos que sejam julgados e paguem pelos seus crimes, mas podemos desejar ainda a recuperação das pessoas. Podemos desejar que estas pessoas sejam melhores, que deem a volta por cima, mesmo não sendo uma missão simples.

Podemos sim desejar uma justiça humana, mas quem pode frear a justiça divina? Não seria ela quem se aplicaria a todos. E quando enfrentamos o resultado da justiça divina não estaríamos enfrentando o próprio Criador? Afinal, o que a palavra de Deus tem a dizer sobre a forma como tratamos as pessoas erradas? Qual a forma correta de se fazer isso senão a que Deus mesmo usou para com você?

É correto afirmar que as pessoas que desejam a morte de outras, que apoiam esse movimento violento e se negam a lutar contra essa cultura serão julgados por Deus da mesma forma que julgam os outros, estas pessoas podem se encher de si mesmas e jurar de pés juntos que são justas, corretas. Mas elas de forma nenhuma entrarão no céu com este pensamento, até porque a bíblia se torna o que Paulo disse ali em cima, “Mudaram a verdade de Deus em mentira”. E fazem isso quando apoiam o que a sociedade da morte prega, negando completamente o fator bíblico para o “amor ao próximo”.

Desta forma, textos como:

“Eu, porém, vos digo: Amais os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso pai que está nos céus.” (Mt. 5.44-45);
“Bem aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.” (Mt. 5.9);
“Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber” (Pv. 25.21);
“Vede que ninguém retribua a outrem mal por mal, mas segue sempre o bem, uns para com os outros, e para com todos” (1 Ts. 5.15)

São negados e colocados como irrelevantes para as pessoas que desejam a morte, que pagam o mal com mal. A bíblia condena instantaneamente esse comportamento e garante que eles não verão a glória do Deus altíssimo, ou seja, esta geração que com coração endurecido pelo pecado, caso não se arrependam, serão todos enviados ao inferno. Serão julgados da mesma forma que julgam, sem piedade da parte daquele que pediu séculos a fio para que tivéssemos piedade das outras pessoas. E se você diz ainda que ama a Deus, mas mantem este pensamento ainda que mentalmente, Deus mesmo tem um recado para você: “Aquele, porém, que odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1 Jo. 2.11)

Difícil, porém é mudar o pensamento das pessoas a respeito do amor ao próximo e dos terríveis resultados que uma cultura tão fatal irá criar no Brasil. Onde pessoas serão instantaneamente julgadas e condenadas ali mesmo, nas ruas, nos becos. Mesmo que elas não estejam erradas, basta pensar diferente e já recebemos uma condenação por isso. Porém nada disso é ou deveria ser apoiado por pessoas que se dizem cristãs, até mesmo porque pessoas assim não sabem o que é amor ao próximo nem tão pouco o que significa ir para o céu.

Fato é que, se olhamos para nós mesmos iremos cada vez mais fundo nessa filosofia. Todos queremos segurança, todos queremos ter uma vida tranquila e sem problemas e qualquer ameaça nos parece ser grande demais. Isso é a idolatria que Paulo estava se referindo nos textos da carta aos Romanos, esse sentimento de que o que importa somos nós é responsável por criar uma cultura onde nós queremos aniquilar aqueles que atravessam nosso caminho e essa idolatria a nós mesmos faz com que tenhamos cada dia menos paciência com os outros. Já não queremos mais ouvir, não queremos mais explicações antes de julgarmos, tudo que precisamos hoje é estar tranquilos. E não importa se para isso acontecer outra pessoa tenha que morrer. Essa foi a mesma linha de pensamento que condenou Jesus, que matou aqueles que atravessaram seus caminhos, seus péssimos caminhos. E se Jesus nascesse em nosso tempo, provavelmente essa seria a mesma cultura que o mataria sem dó num morro enquanto ele tentava abrir os olhos dos aflitos, ensinar aos pobres e esquecidos. Seria essa a mesma cultura que assassinaria Paulo por ele ter matado outros cristãos, mesmo que Jesus tivesse aparecido a ele não teríamos pena alguma caso usássemos esse pensamento humanista do “bandido bom é bandido morto”.

Este pensamento faz com que o ser humano passe de uma criação a um criador, a um deus capaz de julgar, condenar e executar qualquer um que entre em sua frente. Hoje fazemos isso com bandidos e pessoas que pensam diferente, amanhã faremos com pessoas que olham para nós, que nos cumprimentam ou que discordem em uma simples conversa na mesa dum bar.

Pense bem no que você tem apoiado como pensamento correto e coletivo, você pode estar aos poucos preparando sua própria forca e quando clamar ao Deus verdadeiro pode ser tarde demais para você.


Devair S. Eduardo




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